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Ainda que de modo bastante simplificado, na economia contemporânea podemos afirmar que aquilo que as empresas realmente produzem e vendem é de fato e em última instância “conhecimento”. Uma boa parte deste conhecimento se materializa em artigos que vão desde aviões a sabonetes; outra parte se expressa sob a forma de registros eletrônicos tais como filmes, discos, softwares, desenhos e textos. E ainda, outra, sob a forma de serviços apropriados diretamente pelas pessoas ou na forma de cuidados aplicados aos bens materiais.
É como se o valor do trabalho pudesse ser inteligível atualmente com valor/conhecimento, já que todo o trabalho humano, sem exceção, compõe-se de trabalhos muscular, intelectual e neuronial. E que ao executá-lo, qualquer que seja sua composição dominante, necessariamente o ser humano demonstra algum conhecimento. Assim, podemos entender que qualquer produto nada mais é do que a expressão do conjunto de conhecimentos evidenciada através do trabalho.
Na prática, isto significa considerar que os bens e serviços negociados em mercado tenderão a ter o seu valor determinado, de forma crescente, pela quantidade de conhecimento que neles se expressam.
A transição para a economia do conhecimento é bastante complexa e resulta em alterações profundas na vida das pessoas. É bem mais do que a criação de alguns novos setores produtivos “modernos”, pois como todas as anteriores revoluções de paradigmas, o “novo padrão” acaba impondo e reenquadrando, em suas novas formas, todas as atividades produtivas que a antecederam.
Através de sistemas de linguagens de comunicação entre as máquinas, ficou estabelecida a possibilidade de estruturarem-se redes abertas – a internet e a WWW – e com a rápida apropriação de suas potencialidades efetuada pelas empresas, um novo padrão de relacionamento econômico global vem se instituindo e gerando um processo em expansão, onde as anteriores condições operacionais das empresas e dos mercados tornam-se obsoletas.
A exigência de mudanças na gestão das empresas vem acelerando a obsolescência dos velhos métodos de gestão, ainda fortemente centrados no binômio “comando e controle” e nas inerentes “hierarquias conflitivas de poder”. Os fundamentos da administração baseadas em comando e controle não foram criados para desenvolver as capacidades humanas na empresas, e os seus dirigentes, gerentes e chefias foram qualificados para comandar e controlar processos previamente definidos.
Esses métodos antigos, um amálgama do taylorismo, fordismo e fayolismo, foram significativas contribuições à sua época. Sobre esses fundamentos obsoletos têm sido agregadas ferramentas dias modernas, mas que reforçam os aspectos inibidores da criatividade, da capacidade empreendedora e dos talentos dos colaboradores.
Entretanto, contraditoriamente, a despeito da cada vez maior escala dos investimentos, físicos e dos valores monetários de capital, os diferenciais competitivos entre as empresas são cada vez mais determinados pela capacidade humana de inovar, mobilizados pelas pessoas no interior das empresas. Diferenciais competitivos duradouros não podem ser adquiridos no mercado aberto, pois seus concorrentes também poderão fazê-lo. A gestão empresarial passa a ser uma questão estratégica crucial para as empresas e focada no desenvolvimento das capacitações de todas as pessoas que colaboram no processo produtivo.
As novas realidades estão substituindo progressivamente a velha mentalidade e exigindo empresas flexíveis e inovativas. Estamos diante de um novo desafio para o qual se exige que as coisas mudem radicalmente para que possam continuar a existir.
Ao empresário e empreendedor, será cada vez mais exigida a capacidade de reunir os diversos participantes do negócio (os “stakeholders”) - acionistas, trabalhadores, consultores, fornecedores, clientes,; de alinhar seus interesses em rotno da empresa, através de uma sempre renovada capacidade de propor pactos ‘ganha-ganha’, objetivando mobilizar as capacidades empreendedoras, criativas e inovativas dessas pessoas, para dinamicamente garantir as posições de mercado da empresa que maximize os ganhos e, portanto, os interesses de seus diversos participantes.
Somente prosperarão empresas que efetuem, de forma integrada e sistemática, esforços de investimentos internos nas três dimensões organizacionais seguintes:
• Capacitação permanente: realizar esforços endógenos de capacitação permanente no conjunto de seus quadros profissionais;
• Gestão tecnológica: adotar programas ativos de gestão tecnológica, que capacitem as empresas a acompanhar, adquirir e absorver e desenvolver as tecnologias dominantes em seus respectivos setores;
• Ambientes inovativos: efetuar a transformação de suas culturas organizacionais vigentes objetivando construir “estruturas sócio-técnicas com alinhamento dos interesses e dos valores das pessoas”.
Fonte: Livro "Proposições provocativas - ensaios sobre sustentabilidade e educação"
Rodrigo C. da Rocha Loures
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