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A TV como matéria prima da arte
A TV ocupa um espaço público, dimensão essa constituída pelo somatório de espaços privados, os lares de cada pessoa. Sua importância enquanto instrumento cultural somada à escala e intensidade de sua presença cotidiana colocam-na num lugar de especial interesse para a reflexão, objeto não só de teóricos da comunicação, como também de filósofos e artistas.
Conexões sobre a dimensão presencial do espaço público
Na princípio da civilização Grega o campo social de decisão política limitava-se primeiramente ao interior dos lares, às reuniões familiares ao redor do fogo das lareiras. Com o adensamento populacional, a formação das Cidades-Estado e a ampliação da força política de Atenas, a arena pública tornou-se lugar para as decisões coletivas, surgindo aí a Democracia. Essa transformação política teve também implicações míticas e religiosas, com o advento de Atená (deusa da sabedoria, protetora de Atenas) e o declínio do culto de divindades ligadas à fertilidade da terra.
Séculos depois Walter Benjamin observou a iminência da eficácia da comunicação através do uso da linguagem cinematográfica, da exposição perante a massa: um político que soubesse se comunicar através do cinema estaria em larga vantagem sobre o melhor dos oradores que estivesse restrito à retórica no parlamento, ainda que isso pudesse vir a ser até mesmo o prenúncio de ditadores, como a confecção dos filmes de propaganda hitlerista vieram ratificar. A arena dos debates começava a constituir-se numa nova dimensão presencial. Benjamin não imaginava, entretanto, que algo dessa interpretação cinematográfica, seja de atores ou políticos, como ele mesmo frisou, pudesse configurar-se nos atuais horários de propaganda eleitoral, que ecoam nos próprios lares da população, materializando-se no aparelho televisivo, o qual, como a antiga fogueira, agrega hoje os familiares a seu entorno.
Essa mesma TV que busca o voto político dos cidadãos é também o grande veículo contemporâneo de criação de novos mitos: o astro e a estrela do cinema e da novela, do rock, do futebol, os heróis da olimpíada, a personalidade pública, o líder nacional, o terrorista. Mito, religião e política parecem ter na TV algum canal de intersecção. Talvez porque a abstração do sentimento de religare da humanidade à vida, planeta e universo possa por vezes encontrar na TV um corpo, uma hiperrealidade ou um simulacro. De qualquer forma, também as Igrejas querem ter suas próprias emissoras de TV, para chegar aos corações, mentes, bolsos e votos de seus fiéis. E até mesmo INRI Cristo, como filho de Deus reencarnado – e residente em Curitiba – reivindica seus minutos em cadeia mundial para transmitir SUA mensagem.
Desligare para religare
A TV pode também ser vista como o grande veículo de manipulação das massas sob orientação ideológica do Estado e/ou Mercado. Ou como um instrumento potencializador da apatia, instaurando um desligare do indivíduo frente ao mundo. Em ambos os casos, a lembrança de Big Brother, de Orwell e da Globo. Afinal, a prática da comunicação televisiva se faz em vias de mão única, de poucos emissores a milhões de receptores . Há a inércia física do telespectador, as horas de sua vida passivamente dedicadas ao consumo de imagens, mensagens e programas de TV. E ainda os aspectos mais negativos da globalização, os quais, através da TV, ganham uma proporção avassaladora: a homogeneização dos valores e o aniquilamento de diversidades culturais. Essa situação é tão real e crítica que grupos de ativistas culturais como o estadunidense TV-Turnoff Network reavaliam criticamente a função social da TV promovendo campanhas de desligamento temporário de aparelhos, propagando o lema: "desligue a TV, ligue a vida"
Mito da caverna de Platão
O mito da caverna é uma das famosas parábolas escritas por Platão. A idéia consiste em pessoas que vivem numa caverna e acreditam que o mundo real é aquilo que aparece na parede: sombras formadas pela luz que entra pela única fresta existente. As pessoas lutam contra qualquer um que diga o contrário.
Abaixo uma história em quadrinhos do Piteco , personagem de Maurício de Souza, que capta perfeitamente a essência do que Platão queria dizer.
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